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O DESPERTAR: CONTANDO HISTÓRIAS ATRAVÉS DAS MÍDIAS POR MEL KEPEN

Atualizado: Nov 12


O plástico é encontrado em toda parte e em tudo. Esta realidade afeta o planeta. Quanto mais aprendemos sobre essa realidade da poluição plástica, mais fortalecidos nos tornamos na batalha para mudá-la.


" Afinal é mais fácil a gente querer proteger algo que a gente vê e ama, do que aquilo que é desconhecido."



Quando começou a questionar o mundo e o grande problema da poluição por plástico?


Tive a sorte de estar em volta do oceano praticamente a minha vida toda e isso sem dúvidas moldou a maneira em qual eu vejo e me relaciono com o meio ambiente. Desde cedo percebi que tudo está interligado e que a saúde do nosso planeta depende de um balanço delicado e harmonioso entre nossos ecossistemas. Sendo alguém que passa a maioria do tempo trabalhando e brincando nas praias e na natureza, minha consciência sobre o problema do plástico foi crescendo ao longo do tempo. Mas foi quando eu comecei a morar em um veleiro na Califórnia que realmente me dei conta do tamanho e da gravidade do problema. Morando literalmente no mar em uma marina, eu deparava com grandes quantidades de lixo flutuando debaixo do barco e me dava uma sensação desesperadora. Eu saia correndo com uma vara que havia uma rede e retirava o que conseguia da água. Em 2018, eu e meu parceiro partimos para uma viagem de 8 meses de veleiro e durante a nossa jornada ficamos chocados com a quantidade de lixo que encontramos em alto mar e em praias desertas. Vimos também muitas redes de pesca abandonadas, enroscadas nos corais e nos animais marinhos. O nível de devastação que vi foi assustador e me afetou profundamente. Desde então, ficou claro que queria dedicar meu tempo e meu trabalho na preservação dos oceanos.



Você espera realmente mudar a opinião das pessoas, não apenas entretê-las. Qual é a sua abordagem?

Sempre gostei de observar o mundo pelas lentes de uma câmera e contar histórias através das mídias audiovisuais. Percebi desde cedo o poder que a fotografia e o cinema tem em comunicar idéias e transformar opiniões. Porém durante uma parte da minha carreira, fui aceitando projetos aqui e ali e me perdi ao longo do caminho. Os trabalhos com qual estava envolvida não estavam me preenchendo de uma certa forma. Eu não queria produzir algo somente para entreter, eu queria impactar. Ao longo dos anos, um desejo de usar meus conhecimentos para educar e trazer consciência sobre a conservação marinha e justiça ambiental foi crescendo dentro de mim. Com 40% da população global consumindo conteúdo online em diversas plataformas de mídias sociais e de streaming diariamente, nós ambientalistas temos uma ferramenta muito poderosa em nossas mãos. Acho que os meios de comunicação audiovisuais podem servir como uma ponte que interliga pessoas ao meio ambiente estabelecendo um sentimento de empatia mais profunda com os animais selvagens e ecossistemas precisando de proteção. No final das contas é muito mais fácil a gente querer proteger algo que a gente vê e ama, do que aquilo que é desconhecido. Agora vejo minha câmera como uma arma na luta da preservação do meio ambiente e espero não só educar e conscientizar as pessoas mais também inspirar uma nova geração de ambientalistas e “eco-warriors”.


Você é velejadora, como suas viagens podem apoiar o movimento ambiental?


Acredito que existem muitas maneiras em qual não só eu, mas a comunidade do velejo como um todo pode apoiar o movimento ambiental. Para muitos de nós o mar não é só um lugar para brincar, é a nossa casa também. Durante minha última viagem pro México eu passei 8 meses dormindo e acordando no barco e tive muito tempo para observar e me conectar com o meio ambiente. Tudo fica mais devagar e você começa a se relacionar de nova forma com a natureza. Nos locomovemos principalmente ao vento, dependíamos do sol para recarregar nossas baterias, limitados a 70 galões de água fresca por semana, produzimos pouquíssimo lixo, e dependíamos da pesca muitas vezes pro jantar. Era uma vida muito simples, porém bastante sustentável e o nosso impacto no meio ambiente era mínimo. Precisamos usar o velejo não só como um meio de esporte e lazer mas como uma plataforma onde ideias, soluções e iniciativas voltada a sustentabilidade e a conservação podem transcender. Como exemplo, nós velejadores atravessamos mares que às vezes os cientistas, pesquisadores, biólogos marinhos, e ambientalistas não têm tempo ou recursos para acessar. Então podemos participar no movimento através de oportunidades como recolher amostras de água com micro-plásticos no meio do Oceano Pacífico ou registrar as temperaturas das águas ao longo dos trajetos e mandar para os laboratórios para serem analisados. Em minha próxima viagem quero apoiar o movimento ambiental através de projetos como esses e achar maneiras em que posso unir meus conhecimentos em velejo, cinema e sustentabilidade. Estou com ideias à borbulhar!

Algum projeto que você gostaria de compartilhar?


Estou completando um filme junto com a Ju Martins chamado “Children of the Sea”, que conta a história de uma ONG havaiana focada em ensinar as crianças sobre o mar e como protegê-lo. Queremos mostrar à importância da conscientização e no investimento na educação sobre o meio ambiente nas futuras gerações para se tornarem bons líderes de si. Em conjunção estou na fase de produção de um longa-metragem chamado “Amazonian Ecocide” que examina a atual situação sociopolítica e ambiental do Brasil em relação ao desmatamento da Floresta Amazônica. Os dois documentários serão lançados em 2021 e representam essa transição no meu trabalho. E por último, esse ano estou finalizando um curso de pós-graduação em Sustentabilidade na Universidade da Califórnia em Los Angeles.

Como você reduz o desperdício de plástico em sua vida cotidiana?


Eu tento sempre seguir o ditado “Recusar, Reduzir, Reutilizar e Reciclar” no meu dia a dia. Acho que o mais importante é recusar o uso do plástico quando possível através do uso de garrafas, copos, talheres, canudos e bolsas reutilizáveis. Eu também procuro sempre comprar produtos frescos com eco-bags e comprar produtos secos como arroz e feijão em lojas a granel. No geral antes de comprar ou consumir algo eu me pergunto: Isso é essencial? Por quanto tempo isso vai durar antes de virar lixo? É reciclável? Existe uma maneira melhor de consumir isso?

Se os oceanos pudessem falar, o que você acha que eles diriam sobre a poluição do plástico que enfrentam?

Queridos seres humanos. Está na hora de vocês entenderem uma coisa. Eu sou O Oceano. Eu cubro 75% desse planeta e sou a fonte para que todos os organismos do planeta, incluindo vocês, possam viver. Eu providencio ⅓ da sua comida e mais da metade do oxigênio que vocês dependem para respirar. Enquanto vocês queimam combustíveis fósseis e desmatam as florestas sem parar, eu faço o meu melhor para absorver os gases do efeito estufa para manter a temperatura do planeta habitável. Mas estou ficando cansado de te dar tanto e não receber nada além do seu lixo em troca. Se vocês continuarem me poluindo dessa maneira com seu consumismo inconsciente, eu não terei mas nada para dar para vocês. Cada ano que passa estou sendo forçado a retaliar com tempestades e chuvas cada vez mais devastadoras. Mas eu não quero fazer isso, quero viver em harmonia com vocês. Então peço que mudem seus hábitos e pensem em mim toda vez que consumir algo de plástico. Sejam mais sustentáveis na maneira de produzir, usar e reciclar seus pertences. Sejam mais responsáveis como embaixadores desse planeta. Porque no final das contas, eu não preciso de vocês, vocês é que precisam de mim.


Qual sua criatura marinha favorita?


Eu tenho uma apreciação por todos os animais marinhos e sou fascinada com o papel de cada um dentro dos ecossistemas, mas se eu tivesse que escolher eu diria a Baleia Jubarte. Em nossa jornada de velejo em 2018 migramos do sul ao México junto com eles e sentimos a proteção e a energia que carregam ao longo do caminho. Muitas vezes conseguimos até escutar o cantar através do casco do barco. Um dia enquanto eu passeava sozinha de stand-up, uma mãe com um filhote subiram à superfície à uns 3 metros de mim quase me jogando da prancha com suas exalações poderosos. Ficaram ali do meu lado por uns 15 minutos, enquanto eu apreciava cada segundo daquele momento único. Foi incrível essa troca tão especial e ter tido a chance de sentir a energia deles tão de perto. Sem dúvida são animais extremamente mágicos e precisam da nossa proteção.





CONHEÇA MAIS: @mel.kepen

#SaveOurOceans #FenzBrazil


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