REDESIGN : SUA PERSPECTIVA, SUA VIDA, SEU MUNDO por THAIS GONÇALVES


Um momento ou uma série de eventos que mudaram sua perspectiva e, por fim, mudou sua vida.


Às vezes, é uma bomba mental de informação que sacode e puxa a consciência. Ou talvez seja uma experiência de mudança de vida que altera a maneira como você percebe o mundo ao seu redor e o papel que você desempenha nele - algo que o torna pessoal e o move a agir. 'Redesign' é o seu convite para questionar e ver o mundo de uma forma nova.


Compartilhe conosco um momento, memória ou pensamento que mudou a maneira como você vê as coisas. Quando comecei a surfar e a estar todos os dias ao amanhecer em contato com o Oceano, percebi que precisamos de muito pouco pra ser felizes, mas precisamos estar em harmonia com a natureza. À medida que eu passei a observar o reflexo de nosso consumo no mar, todos os dias vendo embalagens, plásticos e entendendo que a maior parte de tudo o que utilizamos inclusive para o surf vem do petróleo, mesmo material tóxico que é a matéria prima para a produção do plástico, percebi que a conta não fechava e já não fazia mais sentido continuar trabalhando como designer criando produtos para o mercado da moda que visava apenas o consumo cada vez maior, sem estar preocupado com as consequências desse consumo para o ambiente e todos nós. Nesse momento resolvi ser parte da solução e começar a pensar em novas formas de criar que pudessem ser menos impactantes para o ambiente. Fundei uma marca de surf com o principal objetivo de difundir a vida simples e em equilíbrio com a natureza, fabricava em pequena escalas, peças que reaproveitavam cortes de tecido e produtos como pranchinhas de bodysurf feitas a partir de pranchas de surf velhas descartadas. Parte do lucro da venda desses produtos retornava para ações na comunidade, assim passei a realizar ações como limpezas de praia. Isso foi só o começo de uma jornada que me levaria a parar tudo que vinha fazendo para pesquisar a fundo o que está acontecendo com o Oceano e possíveis soluções e inovações para os problemas. O resultado foi uma mudança de carreira, passando de designer para o trabalho de levar cada vez mais longe a conscientização para a importância de um consumo mais consciente principalmente através da comunicação e educação.


O que 'redesenhar' significa no mundo real, para designers e não designers? Como você pode participar? Como designer aprendi que tudo o que fazemos e consumimos envolve um “design”, uma forma de projetar e pensar. Podemos perceber hoje, que a forma de pensar e projetar que se desenvolveu na maioria das sociedades de consumo, é uma forma falha, baseada na economia linear, que gera exploração e destruição em vários níveis e muitas vezes causando danos irreversíveis ao esgotar fontes naturais de energia, poluir e devolver ao ambiente resíduos, muitas vezes tóxicos, sem se responsabilizar por eles. O Redesign ou redesenhar é antes de mais nada questionar essa forma e repensar não só a forma como produzimos, como também a forma que consumimos, criando novos formatos e novos hábitos, que antes de mais nada, prezam pela vida. O consumidor ao questionar o que contém nos produtos e em sua cadeia, pode passar a descobrir essas possibilidades, fazer pequenas escolhas diferentes, como buscar eliminar o petróleo e o plástico de sua rotina e à medida do possível substituir seus hábitos. Desde o hábito de ter sempre sua garrafinha de água com você, sua sacola de mercado, fazer compras a granel e a medida do possível fazer escolhas de produtos que estimulam uma nova forma de economia mais circular, investindo em produtos locais, livres de embalagens e químicos tóxicos, com por exemplo os produtos de higiene e limpeza naturais.


A criatividade pode ser incentivada?

Sempre. Somos seres criativos por natureza. O questionamento é sempre o primeiro passo para criarmos novas soluções e novos hábitos e isso envolve desde pequenas a grandes coisas. Aprendemos a fazer as coisas de um jeito mas não significa que esse jeito é o melhor. A medida que percebemos falhas e problemas ligados aos nossos velhos hábitos, devemos questionar, e com os recursos disponíveis criar novas maneiras de fazer as coisas. Muitas vezes ao buscar por soluções podemos nos surpreender com quantas alternativas iremos encontrar para aquele “problema”: seja encontrando pessoas que já estão pensando sobre isso e apoiando ou juntando-se a elas ou seja iniciando um movimento próprio. A partir desse pensamento temos hoje já diversas soluções sendo desenvolvidas em prol de nossos Oceanos,como por exemplo espumas que substituem o isopor, feitas de cogumelo, plástico feito de mandioca que se torna compostável, skates e óculos feitos com rede de pesca fantasma resgatados no mar e assim por diante.


Existem passos simples que todos podemos tomar para evitar e limpar a poluição do plástico? Sim, todos podemos em nível individual e coletivo tomar pequenas atitudes que farão grande diferença. Utilizamos na Parley a estratégia AIR, que significa Evitar, Interceptar e Redesenhar (sigla em inglês: Avoid, Intercep e Redesign). Nessa ordem pensamos em atitudes para evitar o plástico, o petróleo e todo tipo de materiais tóxicos: dizer não principalmente para os descartáveis começando pelo simples: substituir a sacola do mercado por caixas de papelão ou ter sempre sua própria mochila ou sacola para compras, recusar copos e garrafas de água descartáveis, tendo sempre em mãos sua própria garrafa e assim por diante. O interceptar pode ser participar de ações ambientais e mutirões de limpeza ou cada vez que ver algum resíduo na praia, no ambiente ao ar livre, recolher aquilo que puder e destinar corretamente também seus próprios resíduos (separando o orgânico, reciclável e rejeito). O redesenhar é a parte mais importante da estratégia porque ela nos faz questionar e repensar velhos hábitos, escolhendo novas formas de agir e de consumir. Exemplo: utilizar sabão de coco no lugar de detergentes industrializados, optar por produtos livres de químicos e agrotóxicos, repensar a alimentação buscando consumir menos industrializados e questionar as marcas e produtos sobre a origem dos materiais que utilizam.


O que o fez decidir unir forças com o Parley?

Conheci o trabalho da Parley em 2018 quando estava pesquisando inovações e organizações que atuavam em soluções para os problemas nos Oceanos e desde então me encantei pela profundidade e seriedade do trabalho. Naquela época eu empreendia uma startup e vinha trabalhando de forma autônoma com uma série de eventos e ações educativas no país. Recebi o convite para realizar junto com a Parley uma série de ações no Brasil no início de 2019 e desde então, me tornei coordenadora da Parley no Brasil, passando a integrar esse time de pessoas engajadas na proteção dos Oceanos e da vida.



Qual é o papel da educação e da imersão no oceano no programa Parley?

A educação e conscientização é parte fundamental no processo de transformação. Nas ações da Parley buscamos ampliar a conscientização para a importância, a beleza dos Oceanos: o ecossistema marinho é o mais diverso do planeta, é o responsável pela produção da maior parte do ar que respiramos, além dos Oceanos serem os maiores reguladores da temperatura do ambiente - viabilizando nossa vida no planeta - mas, também para os grandes problemas que ele vem enfrentando com as mudanças climáticas, a sobrepesca e a poluição por plásticos. Essa conexão que existe entre os Oceanos e a vida humana na Terra, independente de estarmos perto ou não do mar e a conexão que existe entre nossas atitudes e nosso consumo com a destruição que os Oceanos vem enfrentando, desperta o desejo de mudança, empoderando as pessoas a se sentirem parte das soluções e a serem um elemento importante de multiplicação dessa transformação em seus meios. O contato com os Oceanos, rios, lagos, também é muito importante para nos lembrar dessa importância e beleza e despertar o amor que irá nos inspirar ainda mais a agir. “Nós só podemos proteger aquilo que conhecemos e aquilo que amamos. “



Qual é a sua missão oceânica pessoal e / ou visão de esperança para o futuro?

Eu me sinto ligada ao Oceano desde a primeira vez que o vi, quando tinha só 5 anos. Como surfista e amante desse infinito azul, me sinto feliz em poder trabalhar para levar mais consciência sobre a sua importância e sobre os problemas que vem devastando esse ecossistema que é nossa maior fonte de vida. Sinto que parte de meu trabalho é levar esse amor pelos Oceanos mais longe, para assim despertar mais e mais pessoas que irão também se tornar parte dessa transformação que é antes de tudo, nos lembrar que somos apenas uma pequena parte desse planeta: nossos corpos que também são 70% feitos de água são também esse Oceano e dependem dele para que possamos continuar existindo aqui. Minha visão é que com o despertar de mais e mais pessoas para lembrança de que somos natureza e dependemos da saúde de nosso planeta, possamos voltar a nossa criatividade para o bem sistêmico e trazer cada dia mais soluções e uma nova forma de viver, em harmonia com o todo, com a natureza, com os outros seres vivos, com a vida.


Qual é a sua criatura marinha favorita?

É difícil dizer porque são muitas as criaturas marinhas encantadoras, mas eu amo pensar na generosidade e inteligência dos cetáceos, em especial das Baleias, esses mamíferos gigantes ,tão sensíveis, amorosos e ancestrais que emitem o seu canto pelos oceanos, equilibrando suas frequências, muitas vezes usadas como tratamento alternativo para cura de enfermidade. E elas ainda contribuem para a remoção do dióxido de carbono da atmosfera.



CONHEÇA MAIS: @thaisstevin

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